PRODUÇÃO DE MEL NO DISTRITO FEDERAL AUMENTOU 146,9% EM CINCO ANOS 

PRODUÇÃO DE MEL NO DISTRITO FEDERAL AUMENTOU 146,9% EM CINCO ANOS 

PRODUÇÃO DE MEL NO DISTRITO FEDERAL AUMENTOU 146,9% EM CINCO ANOS

 

Os apiários se encontram, em grande maioria, nas regiões administrativas mais afastadas do centro urbano do Plano Piloto

 

A apicultura brasiliense está em franco desenvolvimento nos últimos anos. A produção de mel no Distrito Federal registrou aumento de 146.9% em cinco anos, de acordo com os dados mais recentes da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF).

 

A atividade tem atraído mais interessados como forma de renda por uma evolução de produtividade ao longo dos anos. Além da própria comercialização dos produtos apiários, as abelhas criadas ajudam com o crescimento de outros alimentos plantados nas redondezas, o que traz benefícios aos agricultores. Por serem animais polinizadores, esses insetos aumentam o rendimento das plantas durante sua caça por pólen, que depois são utilizados para fazer o mel.

 

Os 34.189 kg do alimento — que também é utilizado de forma medicinal — produzidos em 2023 por 3.183 colmeias em solo brasiliense ainda representam apenas cerca de 20% do necessário para suprir o mercado consumidor. De acordo com João Pires, extensionista da Emater, pelo fato de o Distrito Federal ter uma das maiores procuras pelo mel no país, os produtores dispõem um campo de extensão amplo.

 

Os apiários se encontram, em grande maioria, nas regiões administrativas mais afastadas do centro urbano do Plano Piloto. O maior número de colmeias é localizado na região do Paranoá, com 1.023, mas o Gama se destaca, liderando o DF em quantidade de mel produzida, com 7,7 mil kg em apenas 222 alveários.

 

 

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Independência financeira

O que também tem aumentado é o número de produtores, ainda que muitos deles busquem a cultura como hobby. Enquanto o DF registrava apenas 80 criadores de abelhas em 2019, os dados mais recentes indicam que a região, agora, possui 290. Para estimular ainda mais esse crescimento, o Governo do Distrito Federal (GDF) regulamentou, em julho do ano passado, o comércio, a captura, o transporte e a criação de abelhas sem ferrão, que é conhecida como meliponicultura.

 

Um desses produtores é Anselmo Ramos de Carvalho, 35 anos. Desde 2018, ele fez da apicultura sua profissão. Já tendo experiência criando abelhas sem ferrão como hobby, ele viu na produção de mel uma oportunidade de independência financeira e acredita que esse crescimento da área se deve ao investimento em capacitações e ao melhoramento genético para a produção do insumo e também de própolis.

 

Anselmo ressalta a importância da apicultura para o rendimento agronômico local, exaltando o papel das abelhas nesse processo. “Além de preservar e cuidar dos insetos, o apicultor também é um grande cultivador de áreas preservadas. Quanto maior for a área preservada melhor será a produção. O maior benefício da abelha, na natureza, é a polinização”, cita.

 

Cultivo doméstico

Diferentemente da apicultura, que precisa ser administrada longe da área urbana, em grandes espaços de terra, a meliponicultura tem crescido pela possibilidade de realizá-la dentro de casa. Apesar de um rendimento financeiro bem menor, ela pode servir como porta de entrada para os interessados na área e despertar um maior apreço pelos animais.

 

Um exemplo de adeptos dessa atividade é Roberto Montenegro, presidente da Associação de Meliponicultores do DF (Ame-DF). Há seis anos no ramo, ele cria, hoje, 11 espécies em sua casa, no Lago Norte, e vende produtos como mel, própolis e equipamentos apiários.

 

As meliponas são nativas do Cerrado e, portanto, apresentam um papel essencial na preservação ambiental local, além de contribuir para o bom rendimento agrícola melhorando a qualidade dos frutos e sementes pela polinização. “Geralmente, as pessoas que começam a criar abelhas nativas se interessam em plantar mais. Então, viram defensores do meio ambiente”, diz o meliponicultor.

 

Com a Ame-DF, Roberto produz cursos que são apresentados em escolas. Eles buscam conscientizar as pessoas sobre o papel desses insetos na sociedade e a importância de sua preservação. Para os que têm interesse em ingressar na criação de abelhas, ele aconselha a procurar associações responsáveis para se informar sobre a melhor maneira de praticar o hobby de maneira segura e efetiva.

 

Preservação

Diretora-executiva da Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A), Ana Assad diz que os insetos são essenciais para a conservação da biodiversidade. “As abelhas são responsáveis também por cerca de 90% da polinização de espécies com flores”, explica. Com mais de 40 espécies próprias, o Cerrado brasileiro apresenta clima ideal para que esses artrópodes se desenvolvam.

 

Essa relação harmônica dos animais com a vegetação nativa do Distrito Federal levanta ainda mais a necessidade de se conscientizar sobre o risco de perdê-las. A uruçu-amarela do Cerrado, por exemplo, é um dos habitantes mais comuns da fauna brasiliense e se encontra em perigo de extinção. A meliponicultura se mostra como aliada importante na luta contra o fim dessas espécies.

 

“Quando a gente fala de ameaças para esses insetos, são as ameaças que nós temos hoje de um modo geral. Impactos dos extremos climáticos, uso incorreto de defensivos, monoculturas, não oferta de alimentos, doenças que chegam. Então, todos os impactos que não fazem bem aos insetos”, diz a especialista.

 

Para colaborar com a preservação, Anna Assad indica que as pessoas mantenham áreas de conservação e plantem árvores frutíferas nativas do Cerrado. A conservação do bioma local é o mais importante para a diretora da associação. Ela pede, ainda, que haja cuidado dos agricultores com o uso de agrotóxicos na época de floração, quando as abelhas caçam pólen e néctar, e da Secretaria de Saúde com a aplicação do fumacê de combate à dengue. De acordo com Assad, essa atividade deveria ser feita apenas à noite, quando esses insetos são menos ativos, e com aviso prévio aos criadores.

 

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